Ser enfermeiro insatisfeito!, Vida

Desabafo de uma enfermeira

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Foi com esta imagem, na página de Facebook do blog – aqui – que vos desejei uma boa noite.

Foi assim que me deitei ontem à noite, corpo cansado e consciência tranquila, tendo a perfeita noção de várias coisas:

1. Se a minha tarde (das 14h às 22h) foi cansativa, não quero imaginar o cansaço das pessoas que lá estiveram, na luta, o dia todo;

2. Se a minha tarde foi cansativa, agradeço por o motivo ser estar a trabalhar e a tentar ajudar a salvar vidas.

3. A minha tarde foi cansativa, mas muito pior e mais triste está a vida das pessoas que receberam notícias desoladoras do seu familiar ou amigo querido.

E acabei dizendo que a vida de enfermeira(o) é assim, para cuidarmos dos outros, para fazermos aquilo que nos é suposto – cuidar ou salvar vidas -, muitas vezes, a nossa pessoa é posta em segundo plano. Se estou cansada, com dores, com fome, com vontade de ir ao wc, se estou a desesperar porque vejo a corrida ser ganha pelo corpo, destino ou infortúnio – não sei bem qual deles -, pouco interessa.

E quem trabalha, assim, cuidando e salvando vidas, sabe como é revitalizante sair de um turno, sabendo que a pessoa que estava ali deitada vai ficar bem, ou como é frustante, vir para casa vencida, sabendo que demos o litro, como nos é suposto, como conta com isso quem está na sala de espera a rezar, e de pouco ou nada adiantou. Adiantou, para a nossa consciência tranquila, repousar na almofada.

14 Comments

  1. Como me identifico e revejo no teu post 😉
    Ah profissão que dá e ao mesmo tempo tira tanto…
    Se pudessemos algum dia fazer a sociedade entender tudo que é e envolve a enfermagem talvez tivessemos mais compreensão e empatia da mesma para connosco.
    Grata por em palavras conseguires relatar um bocadinho do que vai na alma de cada um de nós após cada turno de trabalho 🙂

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  2. Espero que não e interprete mal: eu louvo muito o trabalho das enfermeiras e enfermeiros, porque estão lá muito para lá dos médicos que visitam, e só visitam, os doentes, quem os trata verdadeiramente são as enfermeiras e enfermeiros…

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      1. Não agradeça, apenas continue a fazê-lo da melhor forma possível e todos nos é que temos a agradecer!

        Temi por momentos que achasse que menosprezava o trabalho dos enfermeiros, longe de mim tal ideia.

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  3. Tocante. Minha mãe passou por uma cirurgia cardíaca há 5 anos, ficou lutando pela vida por 3 dias na UTI, até que foi vencida.. como diabética teve várias complicações ao longo da internação no hospital. Lembro do dia em que ela partiu, lembro-me que quando passei pelo biombo em torno da cama dela, uma enfermeira tentava com um algodão não deixar escorrer o sangue já quase sem cor do nariz de minha mãe, e ela chorava muito, tentando engolir o choro. Em compensação, quando fui entrar na UTI pra vê-la, veio uma outra enfermeira “amorosa e comovida” que disse “ó, não pode chorar alto e fazer escândalo porque senão tu vai ser retirada daqui”.
    Na hora nem liguei, minha cabeça estava distante, era como se só meu corpo estivesse vendo aquele mundo paralelo. Só que isso que ela me disse nunca saiu da minha cabeça. Há enfermeiros e enfermeiros. Lembro de vários que cuidavam dela com amor, outros eram bem secos. Será que eles também deitam com a consciência tranquila? Gostei daqui, um beijo.

    Bia
    http://blogsince85.com

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  4. Micaela Nobre

    Verdade tudo o qur escreveu colega.
    Eu costumo dizer que se ganhar um sorriso de um utente no turno já ganhei o dia.
    Mas deitar a cabeça na almofada de consciência tranquila é sem dúvida o que mais nos descansa no dia a dia, que por mais cansados que estejamos, por mais problemas que tenhamos, por mais que nos falte recursos e etc sair do serviço com a convicção que fizemos o nosso melhor é das melhores sensações que conheço. Obrigada pelas suas palavras e que o gosto pelo cuidar se mantenha sempre presente em nós. Cumprimentos

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