Ser enfermeiro insatisfeito!

Entrevista “Ser enfermeiro insatisfeito” #5

Esta semana andei um bocadinho desaparecida, eu sei!!! Turnos rotativos, sonos desencontrados, tarefas de casa e vida familiar, mantiveram-me mais longe deste meu mundinho!!! Hoje estou de volta e trago-vos mais uma entrevista com um enfermeiro que já deixou de o ser!!! Estive a pensar e a próxima será a minha 🙂 As minhas respostas às minhas perguntas!!! Vamos ver o que o Fábio tem a dizer.

Conta-nos um pouco sobre ti.

Olá! Chamo-me Fábio, tenho 29 anos, sou de Lisboa e sempre estudei cá.

Qual o teu percurso  académico/formativo?

É complicado! Ingressei em Enfermagem na 1ª fase de candidatura na Escola Superior de Enfermagem Maria Fernanda Resende, em Lisboa, mas tinha-me candidatado também à Faculdade de Medicina Veterinária na 2ª fase, por ser o curso que sempre objetivei.  Apesar de ter entrado, como estava a gostar bastante da experiência e os conteúdos me faziam sentido, permaneci em Enfermagem. Acabei a minha licenciatura em 2007 com 21 anos e fui para o mundo do trabalho. Posteriormente iniciei e acabei a licenciatura e mestrado em Medicina Veterinária enquanto trabalhava como enfermeiro.

 

E a tua experiência profissional?

Trabalhei no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa em Lisboa no serviço de Ortopedia e Unidade de Transplante Renal e posteriormente no serviço de Cirurgia geral e Oncológica. Posteriormente, já como Médico Veterinário, trabalhei no Hospital Veterinário Central e encontro-me no Hospital da Associação Zoófila Portuguesa.

És enfermeiro há quanto tempo? Exerceste enfermagem quanto tempo?

Sou enfermeiro há oito anos, mas apenas exerci seis.

 

Porque escolheste seguir enfermagem?

Sempre me senti atraído pelo mundo da saúde e biologia. Apesar de enfermagem não ter sido a minha primeira opção, adorei tirar o curso e o que aprendi completava-me na altura. Ao realizar os estágios todos os anos, conseguia aplicar na realidade laboral o que tinha aprendido na faculdade e o ritmo era tão grande que quando o comboio parou, estava no último ano.

 

Qual o teu sentimento relativamente à enfermagem atualmente?

Sentimentos mistos! Por um lado, é uma honra ter sido enfermeiro, tanto pela parte humana que me ensinou a saber comunicar com o Outro, como pela parte técnica, de raciocínio clínico rápido. Por isso, sinto-me grato.

Quanto ao resto, acho que é um trabalho demasiado fastidioso e pesado para os salários atribuídos, com o nível de esforço físico, carga emocional e responsabilidade que lhe são inerentes. Penso que a Enfermagem é uma ciência que se destaca e se torna cada vez mais autossuficiente mas que ainda tem um longo caminho a percorrer. A falta de reconhecimento social encontra-se intimamente ligada ao serviçalismo desmesurado que ainda se pratica e apregoa em muitas instituições e enquanto essas raízes paternalistas não se romperem, vai ser sempre vista como uma profissão dependente e inferior relativamente a outras classes profissionais.

Sei que mudaste de profissão, fala-nos um pouco sobre essa tua experiência.

Sim, mudei para o que realmente me faz feliz que é trabalhar com animais. Cheguei a uma etapa da minha vida que parei para pensar e percebi que a vida é muito curta para vivermos os sonhos dos outros e temos de ser felizes por nós próprios, mesmo quando essas mudanças se instalam no seio de uma crise económica. A vida não espera por nós e mesmo quando muitos antigos colegas meus me perguntavam: “Tens a certeza que queres largar este emprego? Tens um contrato! Não vais para nada certo e está tudo tão mau…”, eu sabia que estava a fazer a escolha certa, porque já não me sentia realizado e Enfermagem já não me chegava.

 

O que pretendes estar a fazer daqui a uns anos?

Pretendo continuar a ser Médico Veterinário, a trabalhar num Hospital Veterinário e gostava de dar aulas, seja em Medicina Veterinária, seja em Enfermagem. Gostava também de conceber um projeto que aliasse estas duas vertentes como uma saúde «global e holística», com políticas de saúde e bem-estar que beneficiassem o Homem e outros animais.

 

Obrigada Fábio!!!

Leave a Comment