Saúde

Vacinas extra-plano

O mês passado falámos das vacinas incluídas no Plano Nacional de Vacinação (PNV). Este mês, como prometido, falamos sobre as vacinas extra plano de vacinação.

Como já vimos, as vacinas são a maneira mais eficaz e segura para nos protegermos contra algumas doenças. Elas fazem isto, garantindo imunidade ou, no caso de não se garantir imunidade total, conferindo maior capacidade de resistência caso a doença apareça.

O Plano Nacional de Vacinação é “universal, gratuito e acessível a todas as pessoas presentes em Portugal.” (Direção Geral de Saúde, 2015). Este plano é da responsabilidade do Ministério da Saúde, estando incluídas nele as vacinas consideradas mais importantes para defender a saúde da população portuguesa.

Em relação às vacinas extra plano, só podem ser obtidas mediante receita médica. A decisão de administrar, ou não, estas vacinas às crianças, deve ser uma decisão partilhada entre o médico assistente e os pais, depois de um esclarecimento pormenorizado e que não suscite dúvidas.

Neste artigo vou-vos falar das seguintes vacinas:

–  Vacina contra Neisseria meningitidis serogrupo B;

– Vacina contra o Rotavírus;

– Vacina contra a Varicela;

– Vacina contra a Hepatite A;

 

Existem ainda, disponíveis no mercado em Portugal, a vacina contra o Vírus Papiloma Humano para o sexo masculino e a vacina contra a tosse convulsa, mas é muito menos comum a sua administração, pelo que não estão incluídas neste artigo.

 

Vacina contra Neisseria meningitidis serogrupo B

A Neisseria meningitidis B é a bactéria que causa a meningite B, sendo esta uma doença que constitui um problema de saúde pública, porque tem elevadas incidência, gravidade e sequelas.

Existem 13 serogrupos conhecidos desta bactéria, mas a quase totalidade dos casos de doença são provocados pelos A, B, C, Y, W e X.

A vacina contra o meningococo C já está disponível, no nosso País, desde 2002 no mercado livre, e foi incluída no PNV em 2006, o que levou à quase ausência de casos de doença por este serogrupo nos últimos anos. “Na última década, o serogrupo predominante foi sempre o B, com percentagens que variaram, entre 47% em 2003 e 80% em 2008. Em 2011, último ano a que reporta o relatório disponível, 72% das N. meningitidis identificadas pertenciam ao serogrupo B.” (Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), 2015).

O homem é o único reservatório conhecido desta bactéria, e aloja-se no sistema respiratório superior. A transmissão faz-se pessoa a pessoa através das secreções de um indivíduo são (ainda a incubir) ou de um indivíduo doente.

As manifestações clínicas mais graves são a sépsis e a meningite, podendo apresentar-se as duas formas no mesmo doente. Classicamente, a meningite manifesta-se com febre, petéquias ou púrpuras (pintas ou manchas roxas na pele).

A taxa de letalidade situa-se entre os 5% e os 14%, sendo que 11 a 19% sobrevivem com alguma sequela a longo prazo, entre elas, sequelas neurológicas, perda de audição, cicatrizes cutâneas e amputações.

Em Portugal, a taxa de mortalidade, por meningite B, entre os anos de 2003 e 2013 foi de 5,6%.

A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção e controlo da infeção meningocócica. A vacina Bexsero® é a única disponível em Portugal. Existem vários planos de administração desta vacina, os mais precoces começam aos 2 meses, podendo esta vacina ser administrada em qualquer idade, desde que indicada pelo médico assistente. Para mais pormenores, deve expôr o assunto ao seu médico assistente.

 

Vacina contra o rotavírus

A gastroenterite aguda (GEA) é muito comum nos primeiros anos de vida, sendo os vírus mais frequentes o rotavírus (RV), norovírus e, com menor relevância, adenovírus e astrovírus. As GEA por bactérias são menos frequentes.

As GEA podem atingir qualquer criança e diz-nos a SPP que, aos 5 anos de idade, já quase todas as crianças tiveram um episódio de GEA. São de fácil transmissão, através do contato com pessoas e objetos infetados ou o uso de wcs infetados. Quase sempre são infeções controláveis em casa e, quando necessária hospitalização, é no sentido de controlar a desidratação.

“Neste contexto, o desenvolvimento de vacinas contra RV foi uma prioridade, estando comercializadas e disponíveis duas no nosso país, desde 2006, com estruturas e esquemas posológicos diferentes.” (SPP, 2015). Essas vacinas são a RotaTeq® e Rotarix®.

Em 2015, foi publicado um estudo feito para se aferir a eficácia destas vacinas, na Região Centro, compreendendo o período de 2006 a 2012. Observou-se uma efetividade de 83% no que diz respeito a observações no Serviço de Urgência e de 97,5% para internamento por GEA por RV.

Conclui-se assim que as vacinas conferem uma elevada proteção individual contra infeção por RV em Portugal, não havendo diferenças significativas entre as duas vacinas.

Para mais informações sobre o esquema de vacinação, contra-indicação, entre outros, contate o seu médico assistente.

 

 Vacina contra a varicela

O vírus Varicela-zoster (VVZ) é um herpes vírus, que provoca a varicela e o herpes. A varicela é muito contagiosa, com taxas de transmissão de 61-100%. Da varicela podem advir complicações graves, como pneumonia, fasceíte, choque tóxico, cerebelite, encefalite, pneumonia.

Caso uma grávida contraia varicela, corre um risco adicional, principalmente pela maior incidência de pneumonite, e o feto pode ter o síndrome de varicela congénita se a grávida contrair varicela nas primeiras 20 semanas de gestação. No que diz respeito  ao recém-nascido, pode contrair varicela.

Se as crianças forem saudáveis, o melhor é que tenham varicela enquanto crianças. Evitam, assim, contrair varicela já adultos, podendo, nessa altura, ser então mais grave.

O vírus é transmitido pelo ar, quando a pessoa infectada tosse, espirra ou fala, ou pelo contacto direto com as lesões do doente.

Em Portugal, são comercializadas duas vacinas, Varilrix® e Varivax®, não sendo nenhuma considerada mais eficaz que a outra. Qualquer uma delas só protege contra a varicela, em alguns países, existe também em combinação com proteção contra sarampo, papeira e rubéola.

 

Vacina contra a Hepatite A

A hepatite é a inflamação do fígado, sendo a hepatite A  a causa mais frequente de hepatite aguda no mundo.

A infeção por vírus da Hepatite A (VHA) na criança é geralmente benigna e, muitas vezes, nem produz sintomas. No adulto, e em determinados grupos de risco, a doença pode ter um impacto significativo, podendo provocar a morte.

A transmissão de VHA faz-se, quase exclusivamente por contato com fezes infetadas, o que quer dizer que, países com boas condições de salubridade conseguem, mesmo sem recurso à vacinação, diminuir drasticamente a VHA. O Center for Disease Control and Prevention (CDC) considera Portugal um país de baixa endemicidade, ou seja, com baixa prevalência.

Em Portugal, há duas vacinas disponíveis; a Havrix® 720 Junior e a VAQTA®, não estando nenhuma delas recomendada antes dos 12 meses de idade, porque no primeiro ano de vida, os anticorpos maternos, caso existam, podem neutralizar a vacina.

 

Este artigo foi escrito após a consulta de dois artigos, dos quais deixo os links, para consulta mais detalhada:

http://www.spp.pt/UserFiles/file/Comissao_de_Vacinas/Recomendacoes%20sobre%20vacinas%20extra%20PNV%202015-2016.pdf

http://www.usfvalongo.com/documentos/edu/vacinas.extra.pnv-ajuda.na.tomada.de.decisoes.pdf

 

 

 

 

 

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