A aventura da maternidade, Beleza e bem-estar, Mãe, mas Mulher, Sem categoria definida

Hoje de manhã, enquanto me barrava nos meus cremes depois do banho, dei por mim a pensar. Celulite, gordurinhas… A barriga que salta das calças de ganga, quando me sento.

Ai, ai, ai.

Aqui há uns tempos, todas estas coisas me deprimiam e deixavam a pão e talinhos de aipo, a correr para o ginásio 7 vezes por semana, num contra-relógio tipo “Operação Biquini”.

Hoje dou por mim a pensar “E então?”

Sim, tenho gordurinhas, celulite, pedaços de carne a mais a saltar da calça, mas desculpem lá a expressão “Que se lixe”!!!!

Duas cirurgias a um pé, com o repouso inerente, aumento de muitos quilos durante a gravidez que, apesar de já terem desaparecido, deixaram um rasto do peso da gravidade e muitas tainadas com família e amigos são os responsáveis por isto.

“QUE SE LIXE!!!”

Com celulite e gordurinhas mas segura de mim e feliz pelo que tenho vivido 🙂

Quem mais se sente assim!

A aventura da maternidade, Mãe, mas Mulher

Não me crucificem já pelo título deste texto, confiram-me o benefício da dúvida e leiam o resto!

Sou uma mãe sortuda, cujo rebento se aguentou até aos 10 meses sem ficar doente e, se calhar por isso mesmo, é que me custa tanto.

Por isso mesmo eu digo que ser mãe é uma treta, porque faz-nos sentir impotentes, faz-nos querer sofrer no lugar deles, faz-nos chorar com o choro deles, faz-nos perder noites de sono.

Ser mãe é uma treta porque nos fragiliza, nos deixa constantemente a pensar se estamos a fazer o correto e da melhor forma.

Ser mãe é uma treta porque nos deixa em constante sobressalto. Um choro de irritação deles descoordena-nos, um esgar de dor faz-nos doer mais que as dores do parto.

Por isso digo que ser mãe é uma treta, porque deliberadamente arranjei mais um ser para amar incondicionalmente e me preocupar com o que merece e o que não preocupação, porque arranjei mais um motivo para sentir um aperto no coração, porque ele é pequeno demais para albergar tamanho amor.

Ser mãe é uma treta!!!

Mãe, mas Mulher

FINALMENTE POSSO CONTAR!
Aqui está uma novidade que andava ansiosa por vos contar! O nosso grupo Mãe, mas mulher virou rubrica de uma revista – Cidade21.

A partir de agora, com a ajuda de membros do grupo, escreveremos sobre temas do nosso interesse, nestas duas páginas!

A ideia é chegar a mais mulheres, informá-las, partilhar a nossa experiência e, claro está, ajudar a fazer conhecer o trabalho de alguns membros!

Pretendo com este grupo reunir mamãs que se motivam, que ajudam a que cada uma de nós não se sinta sozinha, nem culpada, quando se sente cansada, quando precisa de um tempo para si. Neste grupo fala-se de tudo, sem tabus. Os nossos filhos são a nossa prioridade, mas nós também somos importantes. Afinal, se eu não cuidar de mim, quem cuida dos meus filhos?

 

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Mãe, mas Mulher, Vida

O Boteco decidiu refletir este mês. O vídeo que catalisa esta reflexão encontra-se neste link https://www.youtube.com/watch?v=f8eU5Pc-y0g

O vídeo tem como título “The 3 most important things to ask yourself”, ou seja, as 3 auto-questões mais importantes e quem nos fala dá pelo nome de Vishen Lakhiani. Mostraram-me este vídeo no sentido de me ajudar a refletir sobre algumas questões essenciais, posso garantir-vos que vale a pena ouvi-lo. O único problema é que este vídeo está em Inglês e não tem legendas, e acredito que todos mereciam perceber estas palavras.

Este senhor começa o vídeo de uma maneira interessante, dizendo que acontece frequentemente “acordarmos” aos 40, no caminho para o trabalho; o trabalho que fomos forçados a escolher na idade em que, por lei, ainda nem podíamos comprar uma cerveja.  Desenvolve depois uma pertinente reflexão sobre o que realmente queremos e aquilo que a sociedade, dentro dos seus padrões estabelecidos, nos faz crer que queremos.

Ele acredita que obtemos as nossas respostas se respondermos a três questões essenciais. Essas três questões são:

  1. What do I want do experience? – O que quero experienciar? O que quero viver?
  2. How do I want to grow? – Como quero crescer?
  3. What do I want to contribute to the planet? – O que quero dar como contributo ao planeta?

Já falei aqui no blogue há uns tempos sobre escolhermos a nossa profissão cedo demais. Quando decidi ser enfermeira decidi tão assertivamente, sabia tão bem que era isto que queria, uma certeza de uma menina de 17 anos que me deixa, não raras vezes, desmotivada e triste. Se a escolha foi a certa e o caminho o errado não sei, estou a descobrir, estas questões ajudam um pouco.

Fiz este exercício sagradamente, escrevi as respostas, leio-as algumas vezes, para me ir recordando do que quero, para não me esquecer e não me conformar, só porque a sociedade acha que tenho o que se deve. Acho que todos os dias o faço um pouquinho, retiro-me do meu corpo e observo-me de fora, numa tentativa de ver o que não me agrada, de mudar o que sinto que deve ser mudado, de melhorar o que ainda sinto que pode ser melhorado e depois volto, reformulo, refaço, acerto da próxima e vou redefinindo vontades, metas e caminhos.

Espero chegar lá! Onde? Não sei bem! Lá onde me sinta completamente realizada!

Para lerem as reflexões das outras botequeiras, cliquem nos seguintes links:

Contador d’estórias

Life’s Textures

Espresso and Stroopwafel

A Limonada da Vida

 

 

 

 

A aventura da maternidade, Mãe, mas Mulher

A semana foi igual a tantas outras. Trabalho, levar a menina para a avó,compras de frigorífico, trazer a menina para casa, cozinhar para ela e para nós, fraldas, banhos, e a conversa à noite com o marido, para sabermos como corre a vida do outro fora das mínimas horas que passamos juntos.
Passam por mim pessoas, conhecidas ou não, briosamente ostentando um belo bronze e invejo essa cor, falam-me de viagens que me deixam saudosa de viajar, assisto a colegas e amigos que se preparam para jantar fora e beber um copo, depois da semana de trabalho, fico com vontade de me juntar a eles.

Invejo a cor, a viagem, o programa. Não sei se invejo só porque o fruto proibido é o mais apetecido, se pelas noites mal dormidas que me toldam o pensamento e baixam o amor próprio.
Por instantes sinto-me um pouco nostálgica dos tempos em que era uma jovem por risco próprio. Dura pouco…
Basta pôr os olhos na minha filha que, ao ver-me chegar, salta na cadeirinha, bate os braços e esboça uma gargalha que permite ver o dente solteiro. Basta olhar, no jogo de retrovisores, para a sua cara laroca, os seus olhos atentos que descobrem o mundo, para perceber que o meu mundo é maravilhoso. Basta chegar a casa e ser recebida pelo marido e cão, felizes de me ver, prontos com beijos e lambidelas e o jantar na mesa (ah pois é!!!), para perceber que sou a pessoa mais feliz do mundo, quem sabe também invejada pelos que, por instantes, invejei.