Mãe, mas Mulher, Vida

O Boteco decidiu refletir este mês. O vídeo que catalisa esta reflexão encontra-se neste link https://www.youtube.com/watch?v=f8eU5Pc-y0g

O vídeo tem como título “The 3 most important things to ask yourself”, ou seja, as 3 auto-questões mais importantes e quem nos fala dá pelo nome de Vishen Lakhiani. Mostraram-me este vídeo no sentido de me ajudar a refletir sobre algumas questões essenciais, posso garantir-vos que vale a pena ouvi-lo. O único problema é que este vídeo está em Inglês e não tem legendas, e acredito que todos mereciam perceber estas palavras.

Este senhor começa o vídeo de uma maneira interessante, dizendo que acontece frequentemente “acordarmos” aos 40, no caminho para o trabalho; o trabalho que fomos forçados a escolher na idade em que, por lei, ainda nem podíamos comprar uma cerveja.  Desenvolve depois uma pertinente reflexão sobre o que realmente queremos e aquilo que a sociedade, dentro dos seus padrões estabelecidos, nos faz crer que queremos.

Ele acredita que obtemos as nossas respostas se respondermos a três questões essenciais. Essas três questões são:

  1. What do I want do experience? – O que quero experienciar? O que quero viver?
  2. How do I want to grow? – Como quero crescer?
  3. What do I want to contribute to the planet? – O que quero dar como contributo ao planeta?

Já falei aqui no blogue há uns tempos sobre escolhermos a nossa profissão cedo demais. Quando decidi ser enfermeira decidi tão assertivamente, sabia tão bem que era isto que queria, uma certeza de uma menina de 17 anos que me deixa, não raras vezes, desmotivada e triste. Se a escolha foi a certa e o caminho o errado não sei, estou a descobrir, estas questões ajudam um pouco.

Fiz este exercício sagradamente, escrevi as respostas, leio-as algumas vezes, para me ir recordando do que quero, para não me esquecer e não me conformar, só porque a sociedade acha que tenho o que se deve. Acho que todos os dias o faço um pouquinho, retiro-me do meu corpo e observo-me de fora, numa tentativa de ver o que não me agrada, de mudar o que sinto que deve ser mudado, de melhorar o que ainda sinto que pode ser melhorado e depois volto, reformulo, refaço, acerto da próxima e vou redefinindo vontades, metas e caminhos.

Espero chegar lá! Onde? Não sei bem! Lá onde me sinta completamente realizada!

Para lerem as reflexões das outras botequeiras, cliquem nos seguintes links:

Contador d’estórias

Life’s Textures

Espresso and Stroopwafel

A Limonada da Vida

 

 

 

 

A aventura da maternidade, Mãe, mas Mulher

A semana foi igual a tantas outras. Trabalho, levar a menina para a avó,compras de frigorífico, trazer a menina para casa, cozinhar para ela e para nós, fraldas, banhos, e a conversa à noite com o marido, para sabermos como corre a vida do outro fora das mínimas horas que passamos juntos.
Passam por mim pessoas, conhecidas ou não, briosamente ostentando um belo bronze e invejo essa cor, falam-me de viagens que me deixam saudosa de viajar, assisto a colegas e amigos que se preparam para jantar fora e beber um copo, depois da semana de trabalho, fico com vontade de me juntar a eles.

Invejo a cor, a viagem, o programa. Não sei se invejo só porque o fruto proibido é o mais apetecido, se pelas noites mal dormidas que me toldam o pensamento e baixam o amor próprio.
Por instantes sinto-me um pouco nostálgica dos tempos em que era uma jovem por risco próprio. Dura pouco…
Basta pôr os olhos na minha filha que, ao ver-me chegar, salta na cadeirinha, bate os braços e esboça uma gargalha que permite ver o dente solteiro. Basta olhar, no jogo de retrovisores, para a sua cara laroca, os seus olhos atentos que descobrem o mundo, para perceber que o meu mundo é maravilhoso. Basta chegar a casa e ser recebida pelo marido e cão, felizes de me ver, prontos com beijos e lambidelas e o jantar na mesa (ah pois é!!!), para perceber que sou a pessoa mais feliz do mundo, quem sabe também invejada pelos que, por instantes, invejei.

 

Mãe, mas Mulher, Vida

Há cerca de 15 meses escrevi este texto sobre Ser enfermeiro insatisfeito. Basicamente desabafando sobre a minha insatisfação com a minha profissão, questionando se me via a fazer isto a vida inteira; porque acredito na Enfermagem como me ensinaram e me deram a conhecer, desacredito na Enfermagem que se pratica nas Instituições hoje em dia.

Somos educados – pelos nossos pais que fizeram e fazem o melhor que podem e sabem – a estudar muito para sermos bons alunos, tirarmos boas notas, entrarmos num bom curso, arranjar um bom emprego. A sociedade formata-nos para esta sequência de acontecimentos padronizados. De tal modo que, quando os questionamos, sentimo-nos culpados e desenquadrados.

Deixar um emprego certo – mal pago mas certo – por algo que não sabemos bem o quê, por um sonho, por um caminho nosso, traçado à nossa medida, onde nos sentimos felizes e realizados, pode ser mal interpretado, podemos ser rotulados de maluquinhos. “Tanta gente sem emprego e tu com delírios” – todo o sonhador empregado já ouviu isto.

Pois eu sou cada vez mais sonhadora, menos conformada, mais maluquinha e menos preocupada com o que os outros pensam. Desde que os “meus” estejam comigo, me entendam, me acompanhem e estejam felizes comigo, o caminho pode ser longo, mas eu só vos digo – Eu ainda não sei bem onde, mas eu tenho a certeza que vou lá chegar!!! 🙂

 

A aventura da maternidade, Mãe, mas Mulher

Passaram pouco mais de sete meses e meio desde que ouvi o seu primeiro choro. Na altura sentia-me exausta das intermináveis horas de trabalho de parto sem epidural funcionante, sem ter pregado olho durante a noite. Mal eu sabia que este estado de cansaço seria o meu estado dominante nos próximos meses.

Se alguém tem a receita de como ser mãe sem se ser exausta que me diga por favor, eu agradeço-lhe para o resto dos meus dias. Porque se não é a filha que não deixa descansar, é a mãe que já não sabe desligar o estado de vigília.

Se ela acorda às 6h30m, acorda durante a noite a chorar ou tem um sono muito agitado, sinto-me cansada o resto do dia porque depois de a deitar ainda tivemos de esterilizar biberões, preparar papa, saco para o dia a seguir, marmitas para nós e o dia só acabou já bem mais tarde do que a hora a que a deitamos. Se ela tem uma noite de sono tranquila e a mãe que não consegue desligar o estado de vigília e fica de olho aberto a vigiar os carneirinhos.

E dou por mim a pensar:

Ser mãe (e pai) nos dias que correm é uma ocupação de 24 horas, quando temos empregos que nos exigem quase essas mesmas 24 horas. Ser mãe (e pai) hoje em dia é carregar uma criança no colo enquanto corremos a maratona na selva do mercado. Ser mãe (e pai) na correria do dia-a-dia é tentar educar e transmitir o nosso amor calmo e seguro, enquanto tentamos não perder o comboio da produtividade.

É um amor sem fim, a prioridade das nossas vidas, mas ser mãe (e pai) é extenuante e ambíguo. Projetos que não conseguimos arrancar ou desenvolver como queremos, programas que nos apetecia fazer e não podemos, livros que estão na mesa de cabeceira para se ler, tudo sao coisas que nos aumentam ainda mais o cansaço. É certo que um sorriso, uma “habilidade” nova, assistir a todo o evoluir e crescer da nossa filha vale tudo isto, mas não deixa de ser extenuante.

Porque sinto que só realizando os meus projetos, só tendo os meus e nossos momentos estou capaz de ser uma mãe feliz, capaz de educar uma filha e contribuir para um mundo melhor, um mundo onde ela se sinta feliz, o nosso mundo.

Mas a dúvida fica. Como consigo ser mãe, com todo o sentido que esta palavra carrega, se o mundo me exige tanto quanto a minha filha e eu tenho de dar resposta a tudo? A ela, a mim, a nós, ao trabalho, à sociedade?

Prometo falar mais sobre isto.

Desculpem se o texto não faz muito sentido, foi saindo. 🙂

Mãe, mas Mulher

Quem me conhece sabe que não sou de fazer só uma coisa de cada vez.

Quem me conhece sabe que sou um bichinho carpinteiro.

Quem me conhece sabe que ando constantemente à procura de me sentir completamente realizada no que faço. Não sei bem qual o destino, nem o caminho, mas vou palmilhando.

E neste palmilhar, decidi criar dois grupos de Facebook: Maternidade – O grupo (aqui), onde quero reunir mamãs para falar sobre conceção, gravidez, parto, pós-parto, amamentação, maternidade; e Mãe, mas mulher (aqui), um grupo para as mulheres mamãs falarem sobre questões suas, de mulher, que se preocupa consigo, com o seu bem-estar, porque sabe que, só estando bem, é capaz de dar o seu melhor aos seus filhos.

Gostava que estes grupos fossem complemento um do outro, que aprendessemos muita coisa juntas, e gostava que algumas “especialistas” nestes assuntos se juntassem a nós, para termos uma visão mais profissional e certa dos assuntos.

Fico a aguardar por vocês lá! Juntem-se a nós. maemasmulher2

Maternidade - O grupo
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