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12 de Maio, Dia Internacional do Enfermeiro. Vontade de festejar? Nenhuma!!!

Completo 12 anos como enfermeira este ano e, neste 12 de Maio, nunca me senti tão triste de o ser. Mais triste ainda é o facto de não ter problema nenhum de o assumir, porque quer dizer que, efetivamente, algo está muito mal.

Sinto-me desrespeitada pela minha entidade patronal, sinto-me frustrada com a classe desunida que somos, sinto-me mais uma peça de uma orquestra que toca 24horas por dia e pergunto-me: o que acontecerá se pararmos de tocar?

São os enfermeiros que fazem um Hospital (ou qualquer outra Instituição de Saúde) mover.

É o enfermeiro que vela o doente de dia e noite.

É o enfermeiro que mantém o doente limpo, confortável, seguro, com a medicação a horas, que o prepara para o exame ou cirurgia, que lhe ensina o que vai fazer, como deve fazer.

É o enfermeiro que ouve as dores e queixumes e resolve com medicação, atitudes ou palavras.

É o enfermeiro que ri para alegrar o dia do doente, mesmo quando o seu dia está escuro.

É o enfermeiro que limpa as lágrimas do doente e familiar.

É o enfermeiro que lá está nas festas enquanto os seus estão em casa.

É o enfermeiro que atua para que tudo se conjugue no sentido de uma recuperação.

É o enfermeiro que fica a olhar para o doente e para o monitor.

É o enfermeiro que responde aos toques de máquinas, ventiladores, seringas que apitam.

É o enfermeiro que corre para salvar a vida.

É o enfermeiro que mantém cheias as seringas que seguram a vida.

É o enfermeiro que vê uma escassa linha de eletrocardiograma se transformar numa linha que anuncia o fim.

É o enfermeiro que prepara o corpo da alma que partiu.

É o enfermeiro que se encarrega que essa alma deixe esse corpo dignamente.

É o enfermeiro, sou eu e tu que estamos lá. Sou eu, que quis MESMO ser enfermeira, como primeira e única opção na candidatura à universidade – não,não queria ser médica e fiquei-me pela enfermagem.

Sou eu, que até há algum tempo acreditava na enfermagem como a profissão que previne, educa, cuida e restabelece, que acreditava na enfermagem como a profissão que pode criar ganhos em saúde. Ganhos EM SAÚDE, não GANHOS COM A SAÚDE. E é isto que me faz deixar de acreditar na enfermagem, porque somos o motor da máquina que se aprendeu a pôr a andar por dinheiro e não pela saúde.

Eu, que não ganho o que a lei diz que devo ganhar, que não ganho mais por trabalhar ao sábado, que não me pagam como devem as horas incómodas, que sou completamente esquecida no que diz respeito a decisões no funcionamento do sítio onde trabalho.

Eu, os meus colegas, que somos o motor da máquina, que somos os músicos da orquestra contínua, somos completamente destratados e desconsiderados por quem quer ter GANHOS COM A SAÚDE, quando nós fomos educados para os GANHOS EM SAÚDE.

Respondo, por fim, à minha própria pergunta do início deste texto “o que acontecerá se pararmos de tocar?”. Acredito que, neste momento, temos enfermeiros deprimidos a cuidar de doentes e que alguém tem de cuidar destes enfermeiros também. Por isso temos de parar,antes que paremos pelos piores motivos. Temos de parar, porque se nós pararmos tudo para. Porque nós somos o CORAÇÃO E O CÉREBRO do Sistema Nacional de Saúde e sem nós nada anda, nada toca, nada se ganha!

Assim não quero continuar a ser enfermeira.

A aventura da maternidade, Beleza e bem-estar, Mãe, mas Mulher, Sem categoria definida

Hoje de manhã, enquanto me barrava nos meus cremes depois do banho, dei por mim a pensar. Celulite, gordurinhas… A barriga que salta das calças de ganga, quando me sento.

Ai, ai, ai.

Aqui há uns tempos, todas estas coisas me deprimiam e deixavam a pão e talinhos de aipo, a correr para o ginásio 7 vezes por semana, num contra-relógio tipo “Operação Biquini”.

Hoje dou por mim a pensar “E então?”

Sim, tenho gordurinhas, celulite, pedaços de carne a mais a saltar da calça, mas desculpem lá a expressão “Que se lixe”!!!!

Duas cirurgias a um pé, com o repouso inerente, aumento de muitos quilos durante a gravidez que, apesar de já terem desaparecido, deixaram um rasto do peso da gravidade e muitas tainadas com família e amigos são os responsáveis por isto.

“QUE SE LIXE!!!”

Com celulite e gordurinhas mas segura de mim e feliz pelo que tenho vivido 🙂

Quem mais se sente assim!