Socorrer: um dever e um direito

Como já disse na minha página de Facebook, ando a estudar. Estou fora do meu ambiente de trabalho há quase um ano, prestes a retomar a atividade e, como trabalho com pessoas e vidas, sinto necessidade de estudar, para rever procedimentos, algoritmos, farmacologia, entre outros temas.

Dou por mim a estudar e a pensar sempre no mesmo, tal como já disse neste artigo aquiPreocupo-me constantemente com o facto de o comum cidadão não saber socorrer corretamente uma vítima que lhe surge.

Sou da opinião que devia ser obrigatório – e gratuito – um curso de primeiros socorros a TODOS os cidadãos, como isto não acontece, posso tentar contribuir no que posso e acho que devo continuar a minha rubrica “Socorrer: um dever e um direito”.

Nessa rubrica já falei sobre Obstrução da via aérea em latentes, Abordagem da vítima e o alerta, Manobra de Heimlich em vítima consciente e Obstrução da via aérea em latentes.

E agora pergunto: Sobre que assuntos de socorrismo gostavam que falasse?

Fico à espera das vossas sugestões.

 

Socorrer: um dever e um direito

Há três meses, publiquei a Manobra de Heimlich em vítima consciente. Mais adiante, irei falar sobre a desobstrução da via aérea em vítima inconsciente. Mas hoje venho falar sobre a desobstrução da via aérea em latentes, ou seja, crianças de colo, com menos de um ano.

A manobra de Heimlich, da qual já falei, pode ser aplicada em crianças a partir de um ano de idade, embora as compressões abdominais tenham de ser efectuadas de forma mais cuidada, de modo a minimizar o aparecimento de lesões no tórax ou no abdómen. Reafirmo que a manobra de Heimlich deve ser sempre precedida de pancadas nas costas.

Mas então como devemos atuar se um bebé, de idade inferior a um ano, se engasga com a comida ou um brinquedo? Continue Reading

Socorrer: um dever e um direito

Hoje venho falar-vos sobre a abordagem da vítima e o alerta.

Quando me deparo com uma vítima, seja de acidente ou doença, é fundamental que eu, o socorrista, seja capaz de proceder à avaliação sequencial do seu estado, através da execução de um exame geral das suas funções.

Este exame consta das seguintes etapas:

Detectar precocemente a situação e, se necessário, pedir ajudar;

Avaliar as condições de segurança;

Efetuar o exame primário, que consta no A – B – C – D – E.

A – Airway,Vias Aéreas;

BBreathing,Ventilação;

C – Circulação;

DDisability, status neurológico;

E – Exposição com controlo da temperatura.

Passo a explicar cada uma destas fases

Detectar precocemente a situação e pedir ajuda

Quanto mais rápida for a deteção da situação e o pedido de ajuda, mais rápida será a colocação de meios adequados no local, o que proporcionará uma estabilização precoce das vítimas. Na maior parte dos casos, estes factores são determinantes para a recuperação de quem se socorre.

Não me devo lançar na aventura de tentar ajudar alguém, sem dar o alerta da situação, para que essa pessoa me ajude e chame ajuda especializada, caso seja necessário.

 

Avaliar as condições de segurança do reanimador e da vítima

Antes de qualquer abordagem devemos ter o cuidado de efectuar uma avaliação sobre as condições de segurança, quer para o socorrista quer para a vítima.

A regra básica: O reanimador não se deve expor nem a si nem a terceiros a risco maior do que aquele que corre a própria vítima.

Em situações de emergência, o impulso para atuar sobrepõe-se, muitas vezes, a todas as outras preocupações, mas é de todo desaconselhado a exposição a riscos maiores do que a(s) vítima(s), sob pena de poderem existir mais vítimas.

Por isso devem-se reconhecer os riscos potenciais para o socorrista e para a vítima e assegurar condições de segurança na nossa atuação.

Se, para socorrer a vítima, corro o risco de que um teto se desmorone sobre mim, de me intoxicar, ou de contrair alguma doença, devo ponderar a minha atuação.

Deixo-vos aqui os 10 Mandamentos do Socorrista:

1. Manter a calma;

2. Ter em mente a seguinte ordem de segurança quando estiver a prestar socorro:

– primeiro eu (o socorrista)

– depois a minha equipa (incluindo quem passa)

– e por último a vítima

3. É fundamental ligar para o atendimento pré-hospitalar (112);

4.Verificar se há riscos no local;

5.Manter sempre o bom senso;

6.Manter espírito de liderança, pedir ajuda e afastar os curiosos;

7.Distribuir tarefas (assim as pessoas à volta que poderiam atrapalhar, ajudam);

8.Evitar manobras intempestivas;

9.Em caso de múltiplas vítimas, assistir primeiro as que correm maior risco de vida;

10.Seja socorrista e não herói.

 

 

 

Ver artigo anterior sobre Manobra de Heimlich em vítima consciente aqui.

Socorrer: um dever e um direito

O prometido é devido e hoje lanço o primeiro artigo da rubrica “Socorrer: um dever e um direito”. Achei por bem iniciar com a obstrução da via aérea. Todos já vimos alguém engasgar-se com um pedaço de comida, ou até água.

obstrução

A obstrução da via aérea pode ser por variadíssimas causas, no entanto, a mais frequente é o engasgamento por alimentos, em que a vítima se apresenta numa postura de grande aflição, com as mãos no pescoço, enquanto tosse ou tenta tossir.

Também em crianças é muito frequente, pois elas, com a sua enorme curiosidade, colocam muitos objectos pequenos na boca, acabando por obstruir a via aérea.

A obstrução das vias aéreas também pode acontecer em vítimas inconscientes. Qualquer delas necessita de intervenções específicas, de acordo com o tipo de obstrução.

Hoje vou falar-vos de como atuar numa OBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA NUMA VÍTIMA CONSCIENTE.

Quando vemos uma pessoa, com tosse, a tentar expulsar o objeto engolido, devemos enconraja-la a continuar a tossir e, se necessário, pedir-lhe que se incline para a frente e para baixo. Muitas das vezes o movimento de contração provocado pela tosse, aliado a esta posição, propicia a expulsão do que estava a engasgar. Nesta fase, estão contra-indicadas as pancadas nas costas, porque se corre o risco de maior interiorização do ojeto/alimento e menor eficácia dos mecanismos de defesa já adotados.

Entretanto, se por qualquer razão, a pessoa deixar de tossir, manifestando grande angústia, muitas das vezes levando as mãos sobre a zona do pescoço, e até com sinais de cianose (cor azulada) por asfixia, devemos agir da seguinte maneira:

1.º Continuar a pedir para tossir:

2.º Caso continue em obstrução, efectuar pancadas nas costas (até 5 pancadas) na linha média entre as omoplatas. Estas pancadas devem ser dadas de baixo para cima;pancadas

3.º Se necessário, alternar com a Manobra de Heimlich. Esta manobra tem como finalidade aumentar a pressão dentro do abdómen e, de forma indireta, aumentar também a pressão dentro do tórax, simulando assim o mecanismo da tosse.

Nesta manobra, a pessoa que socorre coloca-se atrás da vítima, coloca as mãos sobre a cintura do indivíduo, entre as costelas e o abdómen (região epigástrica) e, se possível, com a vítima inclinada para a frente. A pessoa que socorre puxa a vítima para si e para cima quantas vezes forem necessárias.

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Posição das mãos na Manobra de Heimlich

Esta manobra também pode ser aplicada em crianças (excetuando crianças ainda de colo), desde que o socorrista se ajoelhe de modo a ficar da altura da criança, ou ponha, por exemplo, a criança ao seu colo. Obviamente, neste caso, tem de se moderar a pressão exercida, de modo a prevenir lesões intraabdominais.

Pode acontecer de, a vítima por obstrução das vias aéreas, ser o próprio reanimador. Neste caso, dever-se-á empregar a manobra de auto-Heimlich, em que o próprio coloca o punho sobre a sua região epigástrica, agarra-o com a outra mão e pressiona com movimentos fortes e rápidos de baixo para cima.

Em alternativa, a técnica pode ser executada, comprimindo forte e rapidamente a mesma região contra uma superfície dura (costas de uma cadeira, uma revista enrolada e colocada perpendicularmente entre a região epigástrica e uma parede).

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Espero que o artigo tenha sido claro e útil.

Socorrer: um dever e um direito

Hoje venho expor-vos uma preocupação minha, com algum tempo já. Cheguei a partilhá-la com o meu marido, a minha família, alguns amigos, mas nunca passou disso!! Preocupo-me constantemente com o facto de, o comum cidadão, não saber socorrer corretamente uma vítima que lhe surge.

No nosso dia-a-dia todos estamos sujeitos a sofrer ou a presenciar acidentes, e certamente todos gostaríamos de ser bem socorridos se nos acontecesse algum acidente ou doença aguda. De igual modo, todos deveríamos estar preparados para agir adequadamente em situações de urgência/emergência. Continue Reading