Vida

Não venho dizer nada em especial, só reforçar o quanto temos a agradecer.

Quando nos preocupamos com problemas que nos parecem gigantes, vistos da perspetiva do nosso umbigo, depressa percebemos que são apenas questões a resolver quando nos pomos do lado do umbigo do vizinho.

Agradece o que tens de bom, mas não o que tens de bens, mas as pessoas, os afetos, a saúde que te rodeia. Agradece toda a pequena coisa que tens para agradecer. Rodeia-te de boas energias.

Abraça quem queres abraçar.

Beija quem merece o teu beijo.

Diz que amas e que gostas a quem merece.

O dia é hoje. Dar valor ao que temos e saber agradecer e valorizar como se tudo fosse desaparecer amanhã.

 

Vida

Quando somos crianças achamos que uma pessoa com 30 anos é “muito velha”.

Quando somos adolescentes, achamos que aos 30 vamos ser pessoas completas, de pé bem vincado num caminho trilhado por nós, bem certos dessa caminhada.

Chegamos aos 30 e… sentimo-nos ainda crianças ou então adolescentes, incertos do nosso caminho, inundados por inseguranças, recheados de responsabilidades e carregadinhos de medo de não respondermos às exigências.

Chegamos ao 30 e poucos e somos pais… Como? Eu ainda me estou a criar a mim, ainda me estou a construir como pessoa, a redifinir várias prioridades, a palmilhar novos caminhos, mas levo-te comigo minha filha, na esperança que aos 50 seja capaz de te passar esta mensagem.

São 30 e poucos anos, aqueles que, aquando criança achei que seriam a maturidade, mas agora sei que são recheados de possibilidades, caminhos, encruzilhadas.

Agora sei que aos 30 ainda me defino. Olho para trás e vejo o tempo perdido em algumas coisas… perdido talvez não, porque experimentei e percebi que não era por ali. Caminhos cruzados com pessoas que percebi não serem para manter, mas obrigada a elas por me terem ensinado o que ensinaram e por me terem mostrado que há pessoas que se cruzam connosco para nos mostrar algo, apenas isso.

Experiências vividas, falhadas, mas enriqueceram na mesma, fizeram-me crescer como pessoa, também me fizeram sofrer é verdade, mas tornaram-me mais rija e pronta para aceitar coisas más e de braços abertos para as pequenas coisas boas que inundam a minha vida de felicidade.

30 e pouco anos, mulher, mãe, enfermeira, sempre a estudar, a ler, sempre a tentar crescer, porque não se cresce em tamanho mas cresce-se de dentro para fora e eu adoro sentir-me a subir nesse percentil!!!

Boa semana!!!

Cachoeira, Onda, Fantástico, Mulher, Natureza, Água
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Beleza e bem-estar, Vida

Estou em contagem decrescente para as férias e já só penso nelas.

Devia estar no computador a trabalhar e só me apetece ver fatos de banhos e  brinquedos para a Martinha. Olhem estas fofuras.

 

E eu até sou uma rapariga de gostos modestos e nem vou com o olho para as coisas mais caras.

Estou para aqui a imaginar as manhãs na praia, as tardes na piscina, sem horas…

Levar o boiãozinho da fruta cozida pelos papás e o pãozinho connosco e deixá-la brincar na água até ela se cansar.

 

Mas a mãe também tem direito a ver coisas para ela…

 

Ai que eu tenho de trabalhar….

(Se quiserem ver de onde é qualquer um dos produtos, é só clicar em cima deles).

São 15 dias a contar para as férias…

A aventura da maternidade, Vida

Este fim-de-semana foi dedicado a nós, a nós os três. Isolados do mundo, sozinhos e rodeados por paisagens verdes, daquelas em que sentimos que encher o peito de ar nos faz ser invadidos por ar fresco e não carregado de tóxicos.
O fim-de-semana proporcionou-nos estar todas as horas juntos, gozando-nos da presença uns dos outros. Permitiu-nos ouvir-te dizer palavras novas, exibir habilidades recém-aprendidas, ensinar-te outras, cantarmos as músicas que gostas, ver os teus bonecos preferidos aconchegadinhos no sofá. Tudo isto sem pressas, sem olhar para o relógio, brincando e relaxando verdadeiramente. E depois deste fim-de-semana apetece-me deixar estas palavras, para um dia tu leres e para nos irmos relembrando.

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Saibamos nós proporcionar-nos estes momentos também na azáfama do dia-a-dia, sem ser preciso sair do nosso ninho. Saibamos nós parar, conscientemente, acabar com o ruído compassado pelo relógio e deliciarmo-nos apenas com o prazer de nos termos uns aos outros e de estarmos juntos.
Sejamos nós capazes de te ensinar que a vida tem regras, que tanto são para ser cumpridas como quebradas. Sim, ouviste bem, as regras também são para quebrar e não estou a brincar. Sejas tu capaz de aprender, assim como nós de te transmitir, que ficar na cama até mais tarde, deitar para dormir bem depois da hora, comer mais um doce, ficar de pijama o dia todo, cantar a plenos pulmões e desafinadamente, são coisas que sabe bem fazer, na hora certa e sem exagerar.
Sejamos nós capazes de te fazer sentir o amor que temos por ti, que podes perguntar-nos o que quiseres – se não soubermos responder, vamos aprender juntos. Podes ser quem queres e como queres connosco, podes rir e chorar, ser destemida ou tímida, correr a maratona ou ficar quietinha em casa.
Saibamos nós fazer-te sentir segura connosco, mas com vontade de conhecer o mundo. Sejamos nós capazes de te ajudar a ser uma pessoa capaz de decidir por si, de fazer por si, de desbravar o seu caminho, sem nunca esquecer as raízes, sem nunca faltar ao respeito e aos limites de nada nem ninguém.
Saibamos nós, todos os dias um bocadinho, fazer com que percebas e sintas que és o centro do nosso mundo, que te amamos mais que a própria vida. És fruto do amor que une os teus pais há 11 anos e eles têm vontade de ver esse amor perpetuado em ti, espelhado na pessoa que serás.

Mãe, mas Mulher, Ser enfermeiro insatisfeito!, Vida

Eu sei que fico demasiado tempo sem escrever. Melhor dizendo, sem publicar. Porque até começo a escrever, mas depressa penso “mas quem é que vai querer ler os desabafos de uma mulher, mãe, enfermeira?”. Acabo por apagar o texto, desligar o computador e vou dormir.

Acredito que quem tem um blogue deve passar boas energias para esse lado, portanto calo-me quando não sinto que o vá fazer. Mas também acredito que faz falta a quem está desse lado, ler que quem está deste não tem uma vida perfeita e é mais uma, como tu que estás aí a ler-me.

Sou mãe, com dias em que me sinto uma super mãe, capaz de tudo, outros em que não me sinto capaz de carregar o peso da minha filha no colo porque as energias quase se acabaram no turno de 12 horas a correr atrás de vidas, umas salvas, outras perdidas.

Porque sou enfermeira, inserida em equipas de urgência e, infelizmente, a desgraça de muita gente, passa-me pelas mãos. E pesa nos meus ombros a responsabilidade de estar bem na altura certa, de responder no segundo que faz a diferença entre uma família manter deste lado de cá, da vida, um pai, uma mãe, um filho.

Vejo pais a sofrer com os filhos doentes, assisto a filhos despedirem-se, sem pré-aviso, dos pais, leio nos seus olhos a dúvida se eu carrego nas costas alguma culpa por aquele desfecho.

Sou enfermeira, sujeita a sigilo profissional, imensas vezes me apetece partilhar convosco histórias de vida com as quais me cruzo. Umas muito tristes, outras muito felizes, outras ainda heróicas, algumas inspiradoras. Mas não posso, mas queria, porque é nessas histórias que, muitas vezes, vou buscar força, energia, inspiração, para continuar a fazer o que faço, para não me queixar mais da minha vida, para valorizar o que tenho.

Porque muita gente não pensa nisto mas nós, enfermeiros e enfermeiras, estamos não raramente sujeitos a um stress inimaginável, não passível de se transmitir ao doente e/ou família, que só partilhamos com aqueles colegas com quem nos sentimos mais à vontade. Este stress, muitas vezes mudo, esta lágrima que não podemos deixar fugir em frente ao doente e/ou família, repercute-se no meu corpo e cabeça, na minha disposição para a família e socializar. E ninguém vê isto. Ninguém percebe, do lado de fora, a intensidade e frequência disto. Os governantes do nosso País não sentem as nossas dores nem as dores de quem cuidamos e relativiza tudo isto para a inerência da profissão, para onde só vai quem tem vocação (diz quem acha que assim é), diz muitas vezes quem está de fora que somos pagos para isso!

Vou dar-vos uma novidade: NÃO SOMOS!!!

No meu disto tudo, sinto-me uma felizarda por acordar com saúde, por ter uma família e bons amigos do meu lado, que vivem com saúde também. E, enquanto assisto (e resisto) a desfechos tristes, contenho as lágrimas pelas dores dos outros, confortada pela certeza de que faço o melhor que posso e de que tenho a os meus à minha espera.

Como mãe e esposa, faço por não trazer para casa o cansaço e a soturnidade de que me sinto portadora, tantas e tantas vezes… tento ser a mãe, apenas a mãe, tento ser a esposa, apenas a esposa, sem ser a enfermeira que saiu de rastos do seu turno, e tento passar para a minha família a alegria que sinto por os ter comigo.

Nem só de turnos tristes vive uma enfermeira e também salvamos vidas, melhoramos qualidade de outras, contribuímos para um final feliz ou para um início de vida que corresponda às expetativas de quem está ao nosso cuidado.

Mas é por isto que muitas vezes acabo por não vos escrever. Porque deste lado pesa o cansaço e, muitas vezes, a culpa por me sentir feliz por comparar a minha vida com as tragédias dos outros. Porque tenho receio de falar demais, de sentir demais, de transmitir demais… Se calhar hoje já o fiz!