Ser enfermeiro insatisfeito!

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Esta foto de comemoração do Dia Internacional do Enfermeiro, publicada pela Ordem dos Enfermeiros, faz-me refletir e questionar muita coisa!

Sou enfermeira há 11 anos e se me perguntarem se gosto de o ser, respondo genuinamente SIM! Adoro a área da saúde, a explicação lógica e interligada das coisas, assistir aos resultados das nossas intervenções, cuidar da pessoa dentro dos limites do que me é possível (entenda-se que trabalho num Bloco Operatório, portanto cuido dos utentes num reduzido espaço de tempo – quase sempre – pelo que, nessas horas que o utente está comigo tento fazer o melhor que posso e sei).

Mas não gosto de ser enfermeira nos moldes em que sou. Os hospitais estão imbuídos de uma visão economicista que não é compatível com o cuidar, verdadeiramente intrínseco e personalizado. Somos, todos os dias, pressionados a produzir, a assumir cada vez mais utentes a nosso cargo simultaneamente, a reduzir cada vez mais os custos.

Ressalvo apenas que não acho que os custos não devam ser controlados, claro que devem, mas não ao ponto de prejudicarem os cuidados prestados.

E agora deixo algumas questões, aos colegas enfermeiros, e até à própria Ordem dos Enfermeiros.

Parabéns heróis“??? Heróis? Eu não quero ser heroína. Quero chegar ao meu local de trabalho, fazer o que me é devido, sair de consciência limpa de que fiz o meu melhor e, se possível, sair contente, porque contribuí para a melhoria das pessoas que cuidei. Não quero ser heroína porque assumi mais doentes do que devia, porque prestei cuidados a correr porque tinha mais cirurgias agendadas do que devia, ou porque mal comi ou fui à casa de banho durante as 12 horas do turno, isto para fazer tudo o que me solicitaram. Não quero ser heroína, quero ser enfermeira.

Ninguém está sozinho“? Acreditam mesmo nisto? Quando assistimos aos recém-formados, profissionais excelentemente formados, valorizados pelas Unidades de Saúde de outros países, corridos pelo País que os formou brilhantemente? Não estamos sozinhos quando assistimos a serem contratados enfermeiros a ganharem o salário mínimo, ou a não terem direito a integração e a serem lançados para a prestação de cuidados (estamos a esquecer-nos que vão trabalhar com vidas?)????

Se não estivéssemos sozinhos estavámos unidos a lutar por condições dignas de prestação de cuidados para os utentes, por rácios adequados, por material de qualidade, por horas suplementares pagas como devem ser, por horas extras pagas e não contabilizadas em banco de horas, e podia continuar, mas vou ficar por aqui.

Não seremos todos heróis sozinhos, solitários?

Deixo apenas esta pequena reflexão, e espero as vossas opiniões. Ainda assim, PARABÉNS aos enfermeiros que dão o melhor de si.

 

Se tiverem curiosidade de ler entrevistas sobre “Ser enfermeiro insatisfeito”, acedam aqui.

 

Ser enfermeiro insatisfeito!

Esta semana andei um bocadinho desaparecida, eu sei!!! Turnos rotativos, sonos desencontrados, tarefas de casa e vida familiar, mantiveram-me mais longe deste meu mundinho!!! Hoje estou de volta e trago-vos mais uma entrevista com um enfermeiro que já deixou de o ser!!! Estive a pensar e a próxima será a minha 🙂 As minhas respostas às minhas perguntas!!! Vamos ver o que o Fábio tem a dizer.

Conta-nos um pouco sobre ti.

Olá! Chamo-me Fábio, tenho 29 anos, sou de Lisboa e sempre estudei cá.

Qual o teu percurso  académico/formativo?

É complicado! Ingressei em Enfermagem na 1ª fase de candidatura na Escola Superior de Enfermagem Maria Fernanda Resende, em Lisboa, mas tinha-me candidatado também à Faculdade de Medicina Veterinária na 2ª fase, por ser o curso que sempre objetivei.  Apesar de ter entrado, como estava a gostar bastante da experiência e os conteúdos me faziam sentido, permaneci em Enfermagem. Acabei a minha licenciatura em 2007 com 21 anos e fui para o mundo do trabalho. Posteriormente iniciei e acabei a licenciatura e mestrado em Medicina Veterinária enquanto trabalhava como enfermeiro.

 

E a tua experiência profissional?

Trabalhei no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa em Lisboa no serviço de Ortopedia e Unidade de Transplante Renal e posteriormente no serviço de Cirurgia geral e Oncológica. Posteriormente, já como Médico Veterinário, trabalhei no Hospital Veterinário Central e encontro-me no Hospital da Associação Zoófila Portuguesa.

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Ser enfermeiro insatisfeito!

Hoje trago-vos a entrevista com o autor do blogue “Porque deixei de ser enfermeiro” (aqui). Um enfermeiro, que não pretende deixar de o ser, mas que se confessa, todos os dias, desiludido com os enfermeiros, no seu blog. Vamos ver o que ele tem para nos dizer.

Conta-nos um pouco sobre ti.

Olá! Não posso contar muito sobre mim. Continuo a fazer esforços para manter o meu anonimato porque, como sabes, o meu blog por vezes aborda assuntos delicados e torna-se imprescindível mantê-lo assim, para que não haja quaisquer condicionalismos à liberdade de expressão e opinião. Continue Reading

Ser enfermeiro insatisfeito!

Hoje trago-vos a entrevista com uma pessoa que me é muito querida, companheira de momentos de angústia no Mestrado que frequentámos, uma pessoa super querida, humana e autêntica. Vale a pena ler.

Conta-nos um pouco sobre ti.

Ana, é com enorme gosto que hoje respondo às tuas perguntas. Tenho 30 anos, vivo em Famalicão. Sempre fui  uma pessoa muito reservada, sendo para algumas pessoas  considerada como distante. Apesar de não me poder pôr à janela para me ver passar na rua, eu descreveria-me como observadora e sensivel. Tive uma educação tradicional, “com limites” à boa maneira portuguesa. No entanto foi sendo possível, à medida que fui crescendo, experienciar o mundo até para dele poder opinar. Hoje adoro ler e viajar, tenho imensa pena de não o fazer as vezes que gostaria,no entanto, acho que sou optimista para pensar que pelo menos vou me esforçando para o fazer quando posso.

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