Alimentação infantil

Aqui encontrarão as principais recomendações que eu pesquisei, em fontes fidedignas, no que diz respeito à diversificação alimentar.

A principal fonte de conhecimentos é a Acta Pediátrica Portuguesa sobre a Alimentação e Nurição no lactente, sendo este um  documento onde é apresentada a evidência científica e as recomendações dos principais comités de nutrição pediátrica sobre alimentação e nutrição do latente. As citações aqui encontradas provêm, em exclusivo, deste documento.

Para escrever este artigo consultei também o documento “Comer com saber…no primeiro ano de vida” disponível em http://www.plataformacontraaobesidade.dgs.pt/ e o site http://www.janela-aberta-familia.org/.

Realça-se, antes de mais, a importância do aleitamento materno, se possível em modo exclusivo durante os primeiros 6 meses de vida, sendo ainda aconselhável prosseguir com o aleitamento materno ao longo de todo o programa de diversificação alimentar e enquanto for desejado pela mãe e latente.

Os resultados de 400 estudos “registam uma associação do aleitamento materno a um menor risco de otite média, gastroenterite aguda, infecções respiratórias baixas severas, dermatite atópica, asma, obesidade, diabetes de tipos 1 e 2, leucemia, síndrome de morte súbita no latente e enterocolite necrotizante.”

 

A diversificação alimentar – quando e como começar e como continuar

É recomendado o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade, pelo que se deve proceder à introdução de alimentos (que não o leite) a partir desta altura. Isto porque a partir dos 6 meses, o latente deixa progressivamente de atingir as suas necessidades nutricionais através do aleitamento materno exclusivo, nomeadamente em energia, proteínas, ferro, zinco e algumas vitaminas.

“É importante referir que a cronologia da introdução dos diferentes alimentos não pode ser rígida e deve ter em consideração uma série de fatores de ordem social e cultural, tais como costumes de cada região, questões socioeconómicas, temperamento da criança, disponibilidade do agregado familiar e ainda particularidades do lactente (ex: atopia, alergias alimentares, patologia específica, etc.)”

As recomendações são consensuais e indicam-nos que, do ponto de vista da evolução maturativa, o latente normal de termo está preparado para a introdução de alimentos, que não o leite,  nunca antes dos 4 meses e preferivelmente cerca dos 6 meses de idade.

A partir dos 6 meses, é recomendado que o latente não ingira mais do que 500ml de leite por dia.

“Aos 4 meses o latente ganha uma maior estabilidade maxilar e do pescoço e o padrão primitivo de sucção começa a modificar-se . Entre os 5 e os 8 meses ocorre uma transição progressiva das funções oromotoras com a passagem da sucção para a mastigação. A partir deste período o latente desenvolve assim a capacidade de mastigação devendo esse processo ser estimulado de modo a facilitar a integração na alimentação familiar. Há um período crítico para a introdução de sólidos na alimentação do lactente. Se a sua introdução não ocorrer até aos 10 meses, aumentará o risco de dificuldades na alimentação com impacto negativo nos hábitos dietéticos em idades posteriores.”

Até há algum tempo atrás, a introdução alimentar iniciava-se com o cereal, sob a forma de farinha, nas tradicionais papas. Torna-se imperativo falar aqui da distinção dos vários tipos de papas. As papas láteas têm leite na sua constituição e devem ser reconstituidas com água, as papas não lácteas não têm leite na sua constituição e devem ser reconstituídas com leite materno ou com o leite que o lactente está a tomar. Podem ainda ser isentas de glúten (se constituídas a partir do milho, arroz ou frutos) ou, quando são constituídas por misturas de cereais, contêm glúten.

“De referir o elevado valor energético das farinhas (cerca de 400 kcal/100 g) mas particularmente o seu considerável teor proteico (12 a 18 g/100 g). Uma refeição deve corresponder a cerca de 35 a 50 g de farinha (o que evita um suprimento energético-proteico excessivo). As recomendações atuais vão no sentido da não introdução de glúten antes dos 4 nem após os 7 meses, devendo a introdução ser gradual e preferencialmente acompanhada pela manutenção do aleitamento materno, visando uma redução do risco de diabetes mellitus tipo 1, de doença celíaca e de alergia ao trigo.”

Atualmente, de acordo com os conhecimentos do padrão de crescimento desejável no 1º ano de vida, além do fato de que o sabor doce é-nos inato, pelo que não se torna necessário estimulá-lo, mas sim estimular o treino do paladar para sabores não doces, leva a que seja recomendado que o início da diversificação alimentar seja feito com um caldo ou puré de legumes.

 

CALDO DE LEGUMES

A batata, a cenoura, a abóbora, a cebola, o alho, o alho francês, a alface, a curgete, o brócolo e a couve branca, agrupados 4 a 5, são os mais utilizados para cozinhar este caldo de legumes. De minha experiência digo que cerca de 100g de cada um destes legumes dá um bom caldo para 3 dias, com doses de 150g cada. Comecei com um caldo de cenoura, batata e abóbora que a minha filha aceitou muito bem.  Obviamente, a primeira vez que lhe dei sopa ela não a comeu toda, a primeira e segunda vez foi mais para ela se habituar. Quando isto acontece, deve-se complementar a refeição com o leite habitual.

O espinafre, o nabo, a nabiça, a beterraba e o aipo contêm elevado teor de nitrato e de fitato, só devem ser introduzidos a partir dos 12 meses de idade.

Estes alimentos são completamente isentos de gordura e, como a gordura também é importante na estruturação das membranas celulares e na maturação do sistema nervoso central, retina e sistema imunológico, devem ser adicionados 5 a 7,5ml de azeite com baixo nível de acidez a cada dose de sopa. Ou seja, quando fazemos sopa para três dias, adicionam-se cerca de 15-20g de azeite à totalidade da sopa.

Não deve ser adicionado sal à sopa.

Os “novos” alimentos devem ser dados com a colher, para se  estimular a mastigação. É natural que o bebé tenha o reflexo projetar a língua para fora e cuspa, mas isto não quer dizer que o bebé esteja a rejeitar o alimento. É um reflexo que o bebé aprenderá, aos poucos, a mudar.

A introdução de cada novo alimento deve ser feita com o espaço de 3 dias. Ou seja, se começarmos com um caldo de batata, abóbora e cenoura, oferecemos este caldo durante três dias, para o bebé se habituar ao novo sabor e para verificar alergias ou intolerâncias e, só depois deste período, se deve acrescentar um alimento diferente.

O caldo de legumes só deve ser oferecido ao almoço. Apenas se introduz ao jantar por volta dos 8 meses de idade.

A textura dos alimentos oferecidos deve ir mudando, deve ser progressivamente menos homogénea de forma a estimular a mastigação.

 

FRUTA

É um importante fornecedor de vitaminas, minerais e fibra.

A fruta deve ser introduzido quando o bebé já está completamente adaptado ao caldo de legumes. As primeiras frutas devem ser a banana,a pêra e a maçã, que devem ser reduzidas a papa. A maçã e a pêra devem ser cozidas, assadas ou cozinhadas em vapor, pelo menos, até ao 6.º mês.

A fruta deve ser oferecida sempre como sobremesa e nunca como refeição, pois “o volume necessário para suprir as necessidades energéticas seria incomportável sob o ponto de vista de tolerância digestiva, devido ao elevado teor de fibra que poderia conduzir a desequilíbrios em micronutrientes por compromisso absortivo.”. Além disso, cada fruto deve ser oferecido individualmente e nao como puré de frutas, de forma a permitir o treino do paladar.

Até ao ano de vida devem ser evitados o morango, amora, kiwi e maracujá, porque são mais alergéneos. No que diz respeito aos frutos tropicais, tais como a papaia, manga, pêra-abacate, não há evidência de que sejam mais alergéneos que os outros,podendo ser oferecidos pelos 6-7 meses, depois da introdução da banana, pêra e maçã, uma vez que são frutos muito ricos nutricionalmente.

 

CARNE E PEIXE

Tanto a carne como o peixe são importantes fontes de proteínas. A carne deve ser introduzida antes do peixe. Quando? Deve ser introduzida aos 6 meses, quando o bebé estiver completamente adaptado ao caldo de legumes.

A dose inicial recomendada de proteína por dia são as 10g que se devem ir aumentando gradualmente até atingir a dose de 25-30g de proteína, sem gordura, por dia. A dose total de proteína pode ser oferecida toda numa refeição do dia (almoço) ou metade desta dose nas duas refeições principais (almoço e jantar). Deverá idealmente ser oferecida carne 4 vezes por semana e peixe as restantes 3 vezes por semana.

A primeira vez que se pôe carne na sopa, coze-se a carne magra (sem peles e sem gorduras) com os legumes e, antes de passar a sopa, retira-se a carne (não se dá a carne à criança). Este caldo de carne faz uma etapa de transição para a introdução da carne na alimentação da criança. Passados três dias, a carne é cozida, triturada e dada no puré de legumes.

Deve-se começar pela carne de frango ou de borrego, seguindo-se a de peru, de coelho, de vitela e, por último, a carne de vaca. A carne de porco só deve ser introduzida após os 12 meses de idade.

A partir do 7º mês pode adicionar-se a dose recomendada de carne ou peixe a preparados tais como farinha de pau ou açorda e a partir dos 8 – 9 meses a arroz branco ou massa, cozidos sempre com legumes.

 Depois do bebé estar completamente adaptado ao caldo de legumes com carne, pode ser introduzido o peixe.

Inicialmente devem oferecer-se peixes magros como a pescada, linguado, solha ou faneca. O salmão, devido ao seu elevado teor de gordura, pode provocar  intolerância digestiva pelo que deverá ser introduzido mais tarde (depois dos 10 meses) e em pequenas porções (não mais de 15g em cada dose).

Todos os outros princípios, relativos a dose e preparação são similares à carne.

 

OVO

Pode introduzir-se a gema a partir do 9º mês, de uma forma progressiva e lenta (1/2 gema numa refeição da semana durante 2-3 semanas seguidas e depois 1 gema numa refeição da semana durante 2-3 semanas).

Deverá ser consumida apenas até 1 gema de cada vez e não deve ser excedido o número de 2-3 gemas por semana.

No caso de crianças com história familiar de alergia, o ovo só deverá ser introduzido, após os 12- 15 meses de idade.

Não esquecer que a gema substitui a carne ou o peixe.

A clara pode ser introduzida a partir dos 11 meses, devendo ser adiada a sua introdução para os 24 meses caso haja história individual de alergia.

 

LEGUMINOSAS

As leguminosas secas ( feijão, ervilha, fava, lentilha e grão) poderão ser introduzidas cerca dos 9 – 11 meses de idade (inicialmente o feijão frade, feijão branco ou preto e a lentilha). Devem ser sempre previamente bem demolhadas e, inicialmente, consumidas sem casca e em pequenas porções na sopa. Mais tarde, podem ser utilizadas inteiras na sopa ou no prato como acompanhamento.

 

IOGURTE

O iogurte é um alimento láteo fresco obtido pela fermentação do leite por bactérias (Streptococcus thermophilus e Lactobacillus bulgaricus) e contém leveduras.

Embora o leite de vaca em natureza (pasteurizado e UHT) nunca deva ser introduzido antes dos 12 meses (preferencialmente 24 – 36), o iogurte pode ser oferecido a partir dos 9 meses num lanche, uma vez que é uma pequena porção em que deve ser consumido diariamente (150 – 200 ml), é de fácil utilização e apresenta vantagens para a flora intestinal. Deve ser natural, sem aromas nem quaisquer aditivos de açúcar (adocicados) ou de natas (cremoso).

Atenção aos iogurtes que se compram, pois nem todos os rotulados com a informação que são para bebé são fidedignos. Grande parte desses iogurtes estão pejados de açúcar e queijo, o que deve ser evitado.

 

SAL E AÇÚCAR

Os alimentos, no seu estado natural, já têm quantidades suficientes, quer de sal, quer de açúcar, inclusivé para um adulto, não sendo necessário adicionar sal nem açúcar aos alimentos e quanto mais tarde forem introduzidos melhor.  Desta forma estamos a promover que o bebé se habitue ao real sabor dos alimentos, enão aos condimentos.

O mel de abelha e de cana, por apresentarem um elevado teor de açúcares, e pela possibilidade de conterem toxinas ou germes perigosos, é desaconselhado, durante o primeiro ano de vida.

O chocolate é também contra indicado, pelo elevado teor de açúcar e por ser de difícil digestão.

 

ÁGUA

Enquanto o bebé está no regime de aleitamento materno exclusivo não é necessário oeferecer-lhe água, uma vez que o leite materno tem os líquidos necessários. A única exceção neste caso é se o bebé estiver com diarreia/vómitos ou se houver uma vaga de calor. Quando o bebé inicia a alimentação com outros alimentos que não o leite, deve ser oeferecida água (se ele quiser beber bebe, se não quiser não bebe).

Há bebés que não aceitam bem a água. Caso isso aocnteça com o seu experimente aquecer um pouco a água.

Quando falo em oferecer água ao bebé, refiro-me a água fervida, que se deve deixar arrefecer.

 

PAPAS DE CEREAIS

As papas podem ser iniciadas cerca de duas semanas depois da primeira sopa.
Antes dos 6 meses de idade, a papa deverá ser isenta de glúten (ex: de milho ou arroz), mas depois dos 6 meses já pode ter glúten (ex: trigo, cevada, centeio ou aveia). Normalmente a papa é oferecida ao lanche, combinando cereais e fruta.

A grande maioria das papas de “pacote” são carregadas de açúcar, o que se deve evitar. Deste modo, cá em casa decidimos dar papas caseiras à nossa pequena. Dá mais trabalho, mas é tudo uma questão de organização e temos a certeza que estamos a providenciar um alimento muito mais saudável. Eis aqui os links para as minhas receitas de papas caseiras:
Primeira papa caseira

Papa de três cereais e duas frutas

Papa de aveia, alfarroba e banana

Papa caseira de Verão

Papa caseira de Verão #2

Papa caseira de aveia, trigo, banana e laranja

 Papa caseira de quinoa, sêmola de milho e banana

Papa de aveia, sêmola de milho e laranja

Papa caseira de aveia, sêmola de milho e pêra

Papa caseira de sêmola de milho, gérmen de trigo e maçã

Papa caseira de duas frutas e dois cereais

Papa caseira de millet e maçã (a partir dos 4 meses)

Papa caseira de trigo e banana

 

Alimentação infantil

Mais uma ideia de papinha, simples, esta também com millet.

Ingredientes para 2 papas:14113995_1150775584961569_432847862_o

  • 40gr de sêmola de milho;
  • 20gr de millet;
  • 2 maçãs;
  • 500ml de água;

Nesta papa segui aquele esquema de cozer as maçãs em meio litro de água, deixar repousar a maçã na água depois de cozida durante uma hora, depois retirar a maçã e deixar os cereais repousar na água da cozedura mais uma hora e, por fim, cozer os cereais nesta água, em lume brando, sempre a mexer para não colar ao fundo.

Depois de cozidos os cereais é só juntar a maçã cozida e passar tudo.

Fica uma papa docinha, suave, e das que já estão prontinhas para comer.

Alimentação infantil

Depois da primeira papa com millet (aqui), de a princesa ter aprovado e eu ter visto como é fácil de cozinhar, suave, leve e nutritivo, decidi arranjar mais uma papinha com este cereal. Mais uma ou duas porque, mais uma vez, fiz14054936_1273171272693731_3580115384223534825_n papa para dois dias.

Ingredientes para duas papas:

  • 30gr de flocos de aveia demolhados (cerca de uma hora em água morna);
  • 20gr de millet;
  • 1 maçã;
  • 2 bananas da Madeira;
  • 400ml de água.

Comecei por cozer a maçã em cerca de 400ml de água. Depois de cozida deixei-a a repousar na água cerca de uma horinha.

Depois retirei a maçã, bem escoada, para um recipiente e adicionei a aveia, já demolhada, e o millet e deixei repousar durante mais uma hora.

Após isto, levei a lume brando, sempre a mexer. Cereais cozidos, é a hora de juntar a maçã e passar tudo com a varinha mágica.

Dividi isto em dois boiões de vidro. Na hora de comer a papa, é só juntar a quantidade de um boião de vidro a uma banana da Madeira, triturada com um garfo (sem o veio central) e a papinha está pronta.

Muito boa!

Alimentação infantil

Papa caseira mais simples e rápida de fazer não há.13920723_1262234627120729_8605909168101346970_n

O gérmen de trigo é a parte mais nobre da semente do trigo, muito rica em proteínas. No entanto, é um cereal um pouco amargo, pelo que tem de ser combinado com frutas que o adocem. Escolhi a banana que vai bem em qualquer papa.

Depois é só juntar as 30g de gérmen de trigo a 150ml de água e deixar a cozinhar em lume brando, sempre a mexer para não colar no fundo da panela.

Depois de cozido o cereal e evaporada a água, basta juntar a banana da Madeira, depois de retirado o veio central, e triturar com a varinha mágica.

Para bebés que já estejam habituados a texturas, não usem a varinha mágica, juntem a banana esmagada com um garfo ao cereal.

E em pouco tempo temos uma papa saudável pronta.

Alimentação infantil

Mais um dia quente, em que só se está bem dentro de água ou fechadas em casa com o ar condicionado a bombar. Aqueles dias em que o calor abafa a fome e só queremos beber coisas frescas. Mas há que dar de comer à princesa, e não fazer batota no aporte de nutrientes.

Mais uma vez a mamã põe a cabeça a maquinar outra papa. Eis o resultado.

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Ingredientes:

  • 30gr de flocos de aveia (se possível demolhados);
  • 35 – 40gr de meloa;
  • 65gr de manga;
  • 150ml de água.

O resto já vocês sabem, não é?

Cozer a aveia na água, em lume brando e sempre a mexer. Deixar arrefecer.

Depois juntar a meloa, livre de casca e pevides e a manga sem casca e triturar tudo.

Digam lá se já não estão a salivar!?? 🙂