A aventura da maternidade

Hoje é Dia da Mãe. Sou mãe desde que tu existes, por isso este texto é para ti e não para mim.

Sinto-me mãe desde que fiz o teste de gravidez e ainda mais quando ouvi o teu coraçãozinho bater naquela ecografia. Poderei não ter sido a mãe que te esperava serenamente, sem angústias, mas fui a mãe que fez tudo o que pôde para que nascesses na altura certa, da melhor maneira, o mais saudável possível.

Sinto-me ainda mais mãe desde que senti a tua pele quente e molhada, acabadinha de sair do meu ventre, enquanto choravas como quem me anuncia ao mundo que chegou.

Não fui a mãe que conseguiu amamentar-te até tu seres capaz de dizer que tens fome, mas sou a mãe que zela todos os dias pela tua alimentação saudável, que luta todos os dias para que sejas forte.

Não sou a mãe que te veste de folhos, laços, fazendo-te parecer a princesa que és, mas sou a mãe que te aconchega de madrugada, te mantém quente e segura.

Não sou a mãe que te leva e te vai buscar à creche todos os dias, que te dá de jantar todos os dias e te conta uma história para adormecer, mas sou a mãe que pensa em ti nessas horas, que se preocupa se tudo estará bem.

Tento ser a mãe que te faz sentir segura, feliz, satisfeita, tento ser a mãe que te educa e ensina, que te mostra como se deve fazer. Tento ser a mãe de quem tu te orgulharás todos os dias da tua vida!

Sou mãe porque tu és minha filha, sou mãe porque em ti tenho o maior amor que se pode viver.

Feliz Dia da Mãe.

 

Mãe, mas Mulher

FINALMENTE POSSO CONTAR!
Aqui está uma novidade que andava ansiosa por vos contar! O nosso grupo Mãe, mas mulher virou rubrica de uma revista – Cidade21.

A partir de agora, com a ajuda de membros do grupo, escreveremos sobre temas do nosso interesse, nestas duas páginas!

A ideia é chegar a mais mulheres, informá-las, partilhar a nossa experiência e, claro está, ajudar a fazer conhecer o trabalho de alguns membros!

Pretendo com este grupo reunir mamãs que se motivam, que ajudam a que cada uma de nós não se sinta sozinha, nem culpada, quando se sente cansada, quando precisa de um tempo para si. Neste grupo fala-se de tudo, sem tabus. Os nossos filhos são a nossa prioridade, mas nós também somos importantes. Afinal, se eu não cuidar de mim, quem cuida dos meus filhos?

 

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A aventura da maternidade, Mãe, mas Mulher

A semana foi igual a tantas outras. Trabalho, levar a menina para a avó,compras de frigorífico, trazer a menina para casa, cozinhar para ela e para nós, fraldas, banhos, e a conversa à noite com o marido, para sabermos como corre a vida do outro fora das mínimas horas que passamos juntos.
Passam por mim pessoas, conhecidas ou não, briosamente ostentando um belo bronze e invejo essa cor, falam-me de viagens que me deixam saudosa de viajar, assisto a colegas e amigos que se preparam para jantar fora e beber um copo, depois da semana de trabalho, fico com vontade de me juntar a eles.

Invejo a cor, a viagem, o programa. Não sei se invejo só porque o fruto proibido é o mais apetecido, se pelas noites mal dormidas que me toldam o pensamento e baixam o amor próprio.
Por instantes sinto-me um pouco nostálgica dos tempos em que era uma jovem por risco próprio. Dura pouco…
Basta pôr os olhos na minha filha que, ao ver-me chegar, salta na cadeirinha, bate os braços e esboça uma gargalha que permite ver o dente solteiro. Basta olhar, no jogo de retrovisores, para a sua cara laroca, os seus olhos atentos que descobrem o mundo, para perceber que o meu mundo é maravilhoso. Basta chegar a casa e ser recebida pelo marido e cão, felizes de me ver, prontos com beijos e lambidelas e o jantar na mesa (ah pois é!!!), para perceber que sou a pessoa mais feliz do mundo, quem sabe também invejada pelos que, por instantes, invejei.

 

A aventura da maternidade, Mãe, mas Mulher

Passaram pouco mais de sete meses e meio desde que ouvi o seu primeiro choro. Na altura sentia-me exausta das intermináveis horas de trabalho de parto sem epidural funcionante, sem ter pregado olho durante a noite. Mal eu sabia que este estado de cansaço seria o meu estado dominante nos próximos meses.

Se alguém tem a receita de como ser mãe sem se ser exausta que me diga por favor, eu agradeço-lhe para o resto dos meus dias. Porque se não é a filha que não deixa descansar, é a mãe que já não sabe desligar o estado de vigília.

Se ela acorda às 6h30m, acorda durante a noite a chorar ou tem um sono muito agitado, sinto-me cansada o resto do dia porque depois de a deitar ainda tivemos de esterilizar biberões, preparar papa, saco para o dia a seguir, marmitas para nós e o dia só acabou já bem mais tarde do que a hora a que a deitamos. Se ela tem uma noite de sono tranquila e a mãe que não consegue desligar o estado de vigília e fica de olho aberto a vigiar os carneirinhos.

E dou por mim a pensar:

Ser mãe (e pai) nos dias que correm é uma ocupação de 24 horas, quando temos empregos que nos exigem quase essas mesmas 24 horas. Ser mãe (e pai) hoje em dia é carregar uma criança no colo enquanto corremos a maratona na selva do mercado. Ser mãe (e pai) na correria do dia-a-dia é tentar educar e transmitir o nosso amor calmo e seguro, enquanto tentamos não perder o comboio da produtividade.

É um amor sem fim, a prioridade das nossas vidas, mas ser mãe (e pai) é extenuante e ambíguo. Projetos que não conseguimos arrancar ou desenvolver como queremos, programas que nos apetecia fazer e não podemos, livros que estão na mesa de cabeceira para se ler, tudo sao coisas que nos aumentam ainda mais o cansaço. É certo que um sorriso, uma “habilidade” nova, assistir a todo o evoluir e crescer da nossa filha vale tudo isto, mas não deixa de ser extenuante.

Porque sinto que só realizando os meus projetos, só tendo os meus e nossos momentos estou capaz de ser uma mãe feliz, capaz de educar uma filha e contribuir para um mundo melhor, um mundo onde ela se sinta feliz, o nosso mundo.

Mas a dúvida fica. Como consigo ser mãe, com todo o sentido que esta palavra carrega, se o mundo me exige tanto quanto a minha filha e eu tenho de dar resposta a tudo? A ela, a mim, a nós, ao trabalho, à sociedade?

Prometo falar mais sobre isto.

Desculpem se o texto não faz muito sentido, foi saindo. 🙂

A aventura da maternidade

E foi mesmo assim, no Dia da Criança, deixei a criança e… fui trabalhar!

Onze meses depois de vir para casa, por gravidez de risco, voltei ao sítio que me faz receber dinheiro no final do mês. Confesso, foi mais fácil do que esperava. Confessem vocês, família, achavam que eu me ia desfazer em lágrimas!!!

Onze meses depois os meus pés ainda souberam andar naquelas socas e eu ainda soube colocar a minha touca à primeira. 🙂 E lá fui eu, lampeira, por aquele corredor a fora, rever caras e pus mãos à obra. Algumas coisas meias enferrujadas, outras ainda como se tivesse sido ontem e, aos poucos, a coisa vai ao sítio.

Tinha prometido a mim mesma que não me deixaria levar por lamechices e que não ia chorar. Cumpri!!!! Sim, porque aquela lagriminha esquiva que me saltou do olho ao deixar a princesa na casa da avó não pode ser tida em conta.

E já cá estou, em casa, a preparar-me para mais uma jornada de fazer sopa para amanhã, fazer jantar, dar banho à pipoca e preparar as coisas para amanhã (clube da marmita, oléeee!).

Não posso deixar de agradecer o carinho dos comentários feitos na minha publicação de ontem, no facebook do blogue. É tão bom sentir o carinho, até de quem só me conhece deste mundo blogosférico!

MUITO OBRIGADA!

 

P.S. Ontem e anteontem os dia foram uma correria, mal apareci por aqui, e vou contar-vos porquê. É que na segunda-feira, a menos de 48 horas de ir trabalhar, reparei que não tinha acolchoado para pôr na cadeira da papa, nem protetor de grades para a caminha que está na avó. Podia simplesmente sair de casa e ir comprar, não é verdade? Sim, essa seria a solução lógica para qualquer pessoa, mas aqui a Ana decidiu que tinha muito tecido parado em casa e decidiu ser ela a confecionar, com a sua máquina de costura, as ditas peças. E assim foi. De um dia para o outro costurei estas pecinhas. A minha professora de costura que não as veja, porque estão pejadinhas de defeitos.