A aventura da maternidade, Mãe, mas Mulher

A semana foi igual a tantas outras. Trabalho, levar a menina para a avó,compras de frigorífico, trazer a menina para casa, cozinhar para ela e para nós, fraldas, banhos, e a conversa à noite com o marido, para sabermos como corre a vida do outro fora das mínimas horas que passamos juntos.
Passam por mim pessoas, conhecidas ou não, briosamente ostentando um belo bronze e invejo essa cor, falam-me de viagens que me deixam saudosa de viajar, assisto a colegas e amigos que se preparam para jantar fora e beber um copo, depois da semana de trabalho, fico com vontade de me juntar a eles.

Invejo a cor, a viagem, o programa. Não sei se invejo só porque o fruto proibido é o mais apetecido, se pelas noites mal dormidas que me toldam o pensamento e baixam o amor próprio.
Por instantes sinto-me um pouco nostálgica dos tempos em que era uma jovem por risco próprio. Dura pouco…
Basta pôr os olhos na minha filha que, ao ver-me chegar, salta na cadeirinha, bate os braços e esboça uma gargalha que permite ver o dente solteiro. Basta olhar, no jogo de retrovisores, para a sua cara laroca, os seus olhos atentos que descobrem o mundo, para perceber que o meu mundo é maravilhoso. Basta chegar a casa e ser recebida pelo marido e cão, felizes de me ver, prontos com beijos e lambidelas e o jantar na mesa (ah pois é!!!), para perceber que sou a pessoa mais feliz do mundo, quem sabe também invejada pelos que, por instantes, invejei.

 

A aventura da maternidade

As noites mal dormidas caraterizam a maternidade de muitos (quase todos) os recém papás e mamás. Ou é porque quer mamar, ou porque tem o nariz congestinado, ou porque estão a romper os doentes, ou porque estranha a cama em férias, nestes dias por causa do calor insuportável que se faz sentir e, a última noite, porque fez uma vacina e está mais resmungona.

São noites mal dormidas, em que os pais se arrastam de madrugada ao encontro da cria que chora, são dias mal acordados em que os mesmos pais desfilam, tal e qual zombies, pelo seu local de trabalho.

Abençoada maquilhagem que vai disfarçando algumas mazelas, às vezes tenho pena do pai que não usa maquilhagem e ostenta olheiras com as quais nunca desfilou nas suas décadas de vida.

E há depois aquelas noites em que a mãe não dorme só porque não dorme, só porque o corpo e o cérebro já vivem em estado de vigília! Croma da mãe que não descansa, mesmo quando a princesa dorme o sono real na sua caminha estendida! (Podem ler sobre isto aqui).

A verdade é uma; depois de ser mãe preciso de muito menos horas de sono do que as que precisava antes. Acredito que o sentido de proteção ajude a segregar hormonas que nos mantém mais despertas, apesar de dormirmos pouco e trabalharmos mais.

Hoje a culpa de ela não ter dormido foi dos pais – ou se quisermos imputar a culpa a outros, a culpa foi da enfermeira (são mesmo más essas senhoras que se passeiam de quico na cabeça e seringa e agulha na mão) – que obrigaram a menina a levar uma pica, só porque decidiram que era benéfico ela fazer a vacina Bexsero ( para saber mais sobre esta vacina clicar aqui). Foi febre, resmunguice e reacção na coxa boa picada. Esperemos que seja um mal que vale pelo bem que faz.

E vocês, têm dormido?

 

A aventura da maternidade

E foi mesmo assim, no Dia da Criança, deixei a criança e… fui trabalhar!

Onze meses depois de vir para casa, por gravidez de risco, voltei ao sítio que me faz receber dinheiro no final do mês. Confesso, foi mais fácil do que esperava. Confessem vocês, família, achavam que eu me ia desfazer em lágrimas!!!

Onze meses depois os meus pés ainda souberam andar naquelas socas e eu ainda soube colocar a minha touca à primeira. 🙂 E lá fui eu, lampeira, por aquele corredor a fora, rever caras e pus mãos à obra. Algumas coisas meias enferrujadas, outras ainda como se tivesse sido ontem e, aos poucos, a coisa vai ao sítio.

Tinha prometido a mim mesma que não me deixaria levar por lamechices e que não ia chorar. Cumpri!!!! Sim, porque aquela lagriminha esquiva que me saltou do olho ao deixar a princesa na casa da avó não pode ser tida em conta.

E já cá estou, em casa, a preparar-me para mais uma jornada de fazer sopa para amanhã, fazer jantar, dar banho à pipoca e preparar as coisas para amanhã (clube da marmita, oléeee!).

Não posso deixar de agradecer o carinho dos comentários feitos na minha publicação de ontem, no facebook do blogue. É tão bom sentir o carinho, até de quem só me conhece deste mundo blogosférico!

MUITO OBRIGADA!

 

P.S. Ontem e anteontem os dia foram uma correria, mal apareci por aqui, e vou contar-vos porquê. É que na segunda-feira, a menos de 48 horas de ir trabalhar, reparei que não tinha acolchoado para pôr na cadeira da papa, nem protetor de grades para a caminha que está na avó. Podia simplesmente sair de casa e ir comprar, não é verdade? Sim, essa seria a solução lógica para qualquer pessoa, mas aqui a Ana decidiu que tinha muito tecido parado em casa e decidiu ser ela a confecionar, com a sua máquina de costura, as ditas peças. E assim foi. De um dia para o outro costurei estas pecinhas. A minha professora de costura que não as veja, porque estão pejadinhas de defeitos.

Mãe, mas Mulher

Quem me conhece sabe que não sou de fazer só uma coisa de cada vez.

Quem me conhece sabe que sou um bichinho carpinteiro.

Quem me conhece sabe que ando constantemente à procura de me sentir completamente realizada no que faço. Não sei bem qual o destino, nem o caminho, mas vou palmilhando.

E neste palmilhar, decidi criar dois grupos de Facebook: Maternidade – O grupo (aqui), onde quero reunir mamãs para falar sobre conceção, gravidez, parto, pós-parto, amamentação, maternidade; e Mãe, mas mulher (aqui), um grupo para as mulheres mamãs falarem sobre questões suas, de mulher, que se preocupa consigo, com o seu bem-estar, porque sabe que, só estando bem, é capaz de dar o seu melhor aos seus filhos.

Gostava que estes grupos fossem complemento um do outro, que aprendessemos muita coisa juntas, e gostava que algumas “especialistas” nestes assuntos se juntassem a nós, para termos uma visão mais profissional e certa dos assuntos.

Fico a aguardar por vocês lá! Juntem-se a nós. maemasmulher2

Maternidade - O grupo
Enter a caption
A aventura da maternidade

Não, ainda não chegou essa minha hora fatídica, mas escrevo porque uma amiga partilhou comigo a sua angústia.

Ela foi mãe um mês antes de mim, e eis que a sua pequena já completou cinco meses, e é chegada a hora da mãe voltar ao batente.

E só me lembro da mítica frase que dizemos aos meninos “É para ganhar tostão, para comprar comidinha, roupinha e brinquedos.

Eu sei, eu sei, chega uma altura que temos de voltar à “vida real”, zelar pela nossa carreira, socializar com o resto do mundo. Eu sei, eu sei, que os defensores da corrente feminista me vão chacinar, porque a mulher tem de mostrar o seu valor, e voltar ao trabalho, e é prejudicial para ela, como membro ativo de uma sociedade, ficar mais meses em casa.

Eu sei, eu sei!!!

E também sei que há alturas em que sinto que podia ser mãe a tempo inteiro o resto da vida, e outros momentos em que sinto falta do meu trabalho, da “adrenalina” de uma boa emergência, de ensinar o que sei em salas de formação.

Mas sei, e ainda não cheguei lá, que vou sofrer horrores, no dia em que tiver de sair para trabalhar e deixar a minha pequena. Também sei que todas as mães passam por isso, que eu não sou diferente, que me vai custar mas vou sobreviver, e que sofro mais eu do que a minha pequena.

Tudo bem, eu sei!

Mas fica aqui o meu beijinho e abraço apertado para essa minha amiga. Tenho a certeza que todos vão ficar felizes por te ter de volta no trabalho, que a tua pequena te vai dedicar um sorriso imenso quando te vir regressar a casa e que, entre lágrimas e coração apertado, tu vais sobreviver a isto como todas as outras mães.

A mim ainda me faltam dois meses, mas já sofro a pensar nisso. Aqui há uns tempos, numa altura em que me vi mais “apertada” pela vida, disse que nunca mais pediria o prémio do Euromilhões, porque já me tinha saído. Mas este é mais um daqueles sonhos que começa com “Eu ganho o Euromilhões…”!!! Pronto, pronto, vou pedir menos. Eu ganho o segundo ou terceiro prémio do Euromilhões e oriento a minha vida, para não ter de trabalhar a tempo inteiro e ser uma mãe mais presente.

Vamos sonhando!

Um beijo grande às mamãs que estão a regressar ao trabalho!